A Associação Atlética XI de Agosto foi uma das primeiras associações de Tatuí e também uma das pioneiras até mesmo no Estado de São Paulo e teve sua origem de forma casual.

Tudo começou na década de 20, quando um portofelicense que havia se mudado recentemente para cidade incentivou um grupo de amigos a darem os primeiros passos, seu nome era Aristides Paes de Almeida o “Seu Aristides” como era conhecido.

Seu Aristides que era apaixonado por futebol, e a modalidade esportiva em Tatuí não andava lá essas coisas, resolveu reunir os jovens que frequentavam o seu bar, o Bar XV, que ficava localizado na praça central da cidade, para uma partida no campo do Operário Futebol Clube.

A ideia era angariar dinheiro para a festa de São Roque, na qual Seu Aristides era festeiro e juntar os rapazes que, na época, passavam boa parte do tempo por ali, comentando os assuntos do cotidiano.

Com duas equipes preparadas, duas jovens “senhoritas” tatuianas foram convidadas a serem as madrinhas. Martha Orsi (filha de Carlos Orsi) e Leontina Marteleto (mãe do advogado Matheus Jacob Hessel).

CLUBE RECREATIVO ONZE DE AGOSTO

A histórica partida foi realizada no dia 9 de junho de 1929. Na ocasião, o Leontina levou a melhor e venceu por 1 a 0. Após a partida, um baile de confraternização foi realizado no Clube Recreativo Onze de Agosto – onde hoje está localizada a loja Pernambucanas.

Com o sucesso da partida, os rapazes decidiram criar um time oficial para, inicialmente, terem uma opção de lazer. Novamente, contaram com o apoio do Seu Aristides, que encarregou-se de oferecer a primeira bola tornando-se assim o presidente honorário do grupo, o capitão da equipe foi Benedito de Barros, o famoso Dito 14.

Nessa época, o time ainda não tinha sequer um nome, tanto que quando aceitaram um jogo amistoso em Angatuba tiveram de contar com o apoio do industrial Juvenal de Campos, que doou as camisas para a partida. Com uma derrota pelo placar de 2 a 1 para os adversários, marcou a estreia da equipe que, por sua vez, não desanimou, pois mesmo com a derrota, os atletas organizaram um baile e uma disputa de pingue-pongue na mesma noite. (Ao menos no pingue-pongue, os tatuianos venceram).

Entusiasmados com a partida em Angatuba, os rapazes começaram a estudar uma maneira de formar um quadro definitivo de futebol. O assunto era a “bola da vez” nas rodas de conversas e os jovens passaram a se reunir em frente ao antigo Clube Recreativo para, debaixo da iluminação de um poste, discutir as possibilidades da equipe.

Com novas partidas vitoriosas na região, os jovens decidiram eleger uma diretoria, mesmo sem o quadro estar registrado. Primeiro, decidiram batizar o time. Entre as muitas sugestões, um dos atletas lembrou-se do Clube Recreativo Onze de Agosto e a equipe propôs à diretoria da época que encampassem o time de futebol, já que o clube promovia apenas atividades sóciais.

A diretoria do Recreativo Onze de Agosto acabou recusando a proposta, diante do tamanho da responsabilidade, então os atletas voltaram a discutir um nome e, por unanimidade, acataram a sugestão de Simeão Sobral de Oliveira.

O time então foi batizado de XI de Agosto Futebol Clube, em homenagem ao aniversário da cidade de Tatuí. Já no início da década de 30, Tatuí sediava alguns campeonatos de nível municipal, onde havia a competição do Operário FC, do Pindorama FC e do Santa Cruz FC. Com a equipe já batizada e dispostos a inscrevê-la nas disputa locais, os integrantes do XI de Agosto decidiram criar uma diretoria permanente.

O primeiro presidente indicado de forma extraoficial – pois o grupo ainda não possuía um estatuto – foi Procedino de Almeida, o Dingo, que era bancário e não chegou a assumir pois acabou deixando o cargo para seu vice-presidente Frederico Holtz, depois de ter sido transferido de agência.

O grupo já pensava em organizar um estatuto e em registrá-lo na Federação Paulista de Futebol. Para tanto, o grupo convidou o advogado Chichorro Netto, que elaborou o estatuto, onde ao apresentar o documento para aprovação em assembleia, realizada no Clube Recreativo Onze de Agosto, Chichorro Netto demonstrou que o estatuto já previa possibilidades mais auspiciosas.

Os jogadores do XI de Agosto e alguns torcedores aprovaram o estatuto por unanimidade onde o documento já denominava a equipe de Associação Atlética XI de Agosto, prevendo que o time pudesse crescer e suas atividades viessem a ser ampliadas.

PRIMEIRA ATA

Até essa época o XI de Agosto treinava no campo de futebol do Operário FC, que já cansados do empréstimo do local para treinos, os rapazes começaram a pensar em ter o campo de forma definitiva, o que lhes foi, obviamente, negado. Apesar de amigos, os atletas não cederiam o espaço justamente para uma equipe adversária jovem e ambiciosa.

Em meio a conversas, um dos jogadores recordou-se de um campo aberto, um terreno baldio, sem muros nem grama, onde nesse local viria a ser fundada a Associação Atlética XI de Agosto, Foi nesse terreno que o time passou a treinar e, algum tempo depois, sob intervenção do influente Gualter Nunes, obteve a doação da área. O terreno primeiro foi doado a Gualter Nunes que, depois, oficializou doação à Associação Atlética XI de Agosto.

A oficialização ocorreu somente no ano de 1946. E o empenho de Gualter Nunes fez com que ele, mesmo não sendo associado agostino, se tornasse o presidente do clube de 1933 à 1935 e 1938 à 1939.