Treinando no terreno aberto, os atletas passaram por dificuldades, mas com o apoio de voluntários – dentre eles muitos torcedores – os atletas conseguiram fechar a área com tábuas de madeira. Para inaugurar o campo cercado por tábuas, foi agendada uma partida contra o Pindorama.

Jogando com Gentil, Santinho, Dito 14, Acassio Teixeira Barbosa, Ibraim, entre outros, o XI de Agosto desta vez, tinha a intenção de reformar o campo de futebol e construir muros e arquibancadas de tijolos. Os associados ainda eram poucos, mas a vontade era tamanha que ninguém pensava ser impossível construir um campo “de verdade” no local onde havia somente a Avenida das Mangueiras (a então avenida Cônego João Clímaco de Camargo) e algumas chácaras.

Uma grande campanha passou a ser feita para mobilizar a cidade. Tatuianos, mesmo carentes, colaboravam com a construção. E para se obter o valor necessário valia tudo, inclusive a criação da “Campanha dos 500 Sócios” (para aumentar o número de associados), na qual a diretoria ofereceu um belo chapéu para quem apresentasse o maior número de associados prevendo que o time pudesse crescer e suas atividades viessem a ser ampliadas.

Não se sabe, ao certo, quanto tempo foi necessário para arrecadar todo o montante. Fato é que, em 1935, foi agendada a partida de inauguração do empreendimento contra nada mais, nada menos, que o Palestra Itália. A presença da equipe de São Paulo no interior já era uma grande novidade, pois na época, era incomum grandes times aceitarem jogos contra equipes desconhecidas. Havia, sempre, a possibilidade do time paulistano ser derrotado e, isso, implicaria no constrangimento dos “grandes”. O Palestra Itália seria a estrela na inauguração do campo gramado, do muro, das arquibancadas e vestiários.

É sabido que o Palestra Itália não jogou com a equipe completa de titulares, mas, na época, os reservas eram quase tão importantes quanto os titulares. Dentre os conhecidos jogadores, pelo menos três entraram em campo: Nascimento, Junqueira e Carné.

Registros da época indicam que o jogo foi emocionante. O campo ficou completamente lotado e torcedores de toda a região compareceram, atraídos não somente pela presença dos atletas do Palestra Itália, mas, também, pela fama do XI de Agosto que já se espalhava. A partida terminou com um honroso empate em 1 a 1, e com certa ajuda do juiz para que os tatuianos não vencessem.

A estrela do jogo foi Pudim, atacante de dribles rápidos e incrível velocidade. Ele ficou na história do futebol de Tatuí e na do XI de Agosto ao marcar o gol de inauguração do então estádio “Doutor Gualter Nunes” frente à equipe mista do Palestra Itália (hoje Palmeiras) no dia 11 de agosto de 1935. Naquele dia, a equipe agostina jogou com Maco, Pintor, Brasilino (que havia atuado na Portuguesa de Desportos), Oswaldo Avalone, Jaiminho, Vitrola, Daco, Aido Lourenço, Pudim, Lourenço e Elias.

A equipe tatuiana saiu na frente, depois cedeu o empate. Quando o XI de Agosto marcou o segundo gol, o juiz apitou o fim do jogo bem antes do horário previsto. Depois, no jantar de confraternização, na Sociedade Italiana, o próprio juiz admitiu que havia terminado a partida porque o Palestra Itália não poderia perder para um time do interior, ainda pouco conhecido na Capital.

Um XI de muitos momentos…

Desde seu primeiro evento social realizado no início da década de 70, o XI de Agosto virou sede de inúmeros eventos tradicionais, como Baile do Hawaii, American Bar Trololó, Baile de Reveillón e o mais importante e tradicional deles, o Vermelho e Preto.

Sem contar os inúmeros shows que tiveram espaço no ginásio de esportes do XI de Agosto, como Engenheiros do Hawaii, Lulu Santos, Kid Abelha, Grupo Sambô, Turma do Pagode, Thiaguinho, João Neto e Frederico, Henrique e Juliano, Michel Teló, Banda Malta, dentre outras atrações nacionais e até mesmo internacionais, como Jimmy Cliff e Chris Duran.

O XI de Agosto conquistou em 57 e 58 o bicampeonato amador do Estado de São Paulo, que nessa ocasião não era pouca coisa. O feito do time da égua vermelha foi tão grande que lhe valeu uma menção até mesmo no hino de Tatuí.

No estribilho do hino, vem a lembrança de “Tatuí do XI de Agosto”. Essa menção advém das glórias do time tatuiano.

O futebol continuava a ser o carro-chefe da Associação Atlética XI de Agosto que nos anos de 1941, 1942 e 1943, o XI de Agosto conquistou os campeonatos municipais, sagrando-se tricampeão do Campeonato Amador Federado da Litafu (Liga Tatuiana de Futebol).

Durante mais de dez anos, as atividades limitavam-se aos jogos de futebol e participação em campeonatos locais e regionais. No ano de 1953, o XI de Agosto participou do campeonato da 2ª Divisão do Futebol do Estado de São Paulo, terminando em sexto lugar, mas foi nos anos de 1957 e 1958 que o XI de Agosto onde obteve sua mais alta glória no futebol do interior paulista. A equipe agostina sagrou-se bicampeã paulista do Campeonato Amador Estadual organizado pela FPF (Federação Paulista de Futebol).

Utilizando uniformes nas cores vermelha e preta (ou camisa branca e calção vermelho), o XI de Agosto fez bonito em duas finais consecutivas; O XI de Agosto venceu o Comercial de Araras na final do Campeonato Amador do Interi or de 1957 por 3 a 2. A final do campeonato foi realizada em 12 de janeiro de 1958, na cidade de Piracicaba.

Registros da época indicam que a partida foi “de ótima qualidade e os agostinos dominaram o famoso adversário conseguindo logo nos primeiros 30 minutos o resultado de 3 a 0”, ainda conforme os registros, os defensores do Comercial diminuíram numa cobrança de pênalti, mas a primeira etapa terminou em 3 a 1, já no segundo tempo, aos 43 minutos, o Comercial assinalou o segundo gol, também em cobrança de pênalti. Placar final: 3 a 2, com gols marcados por Paias e Sato.

Os grandes heróis do Campeonato de 1957 foram: Aldo, Bia, Nicola, Sato, Osmar, Ponce, Paias, Kaquá, Paulinho, Renato, Eurides, Alfeu, Neto e Milton. Notícias indicam que mais de mil torcedores tatuianos foram até Piracicaba para incentivar os jogadores e conferir a decisão.

No ano seguinte, a conquista do bicampeonato veio sobre o conceituado time do Itatiba Esporte Clube. O placar do Campeonato do Interior de 1958, nem parecia de final: 7 a 1, tamanha a superioridade da equipe tatuiana. Em 13 partidas, o XI de Agosto conquistou oito vitórias, dois empates e três derrotas. Marcou 54 gols e sofreu 17, tendo Nicola, com 20 gols, como o artilheiro da competição.

A equipe presidida por PG Meirelles e tendo Oswaldo Avalone como técnico, atuou com Bia, Alfeu, Eurides, Ponce, Sato, Paias, Osmar, Neto, Nicola, Paulinho, Aldo, Jonas, Neco, Hioti, Tião, Carvalhinho e Paraguaio. Essas duas importantes conquistas colocaramo XI de Agosto na história do futebol estadual.

Confira a série de reportagens que o Jornal O Progresso de Tatuí fez sobre o nosso XI